Em janeiro de 2015, a criação de empregos com carteira assinada foi negativa em 81,8 mil
postos de trabalho em todo o território nacional. Isso mesmo houve queda do emprego formal em
janeiro. Houve aumento do desemprego, pelo menos do desemprego com carteira assinada.
De um modo geral, o mês de janeiro costuma mesmo registrar altas taxas de “demissões”
em função das dispensas do pessoal temporário, contratado pelo Comércio e pelos Serviços para
as atividades de fim de ano. Contudo, quando a economia passa por um cenário de crescimento e
o mercado de trabalho está aquecido, o movimento de demissões do primeiro mês no ano é mais
do que compensado pelas contratações dos demais setores econômicos e, em termos absolutos, o
emprego cresce. Não foi o que ocorreu em janeiro de 2015, com a economia em ritmo de
recessão, o emprego caiu e o saldo de vagas foi negativo. Para se ter uma ideia, em janeiro de
2014, o saldo de novas vagas havia sido de 29,6 mil e em janeiro de 2013 de 28,9 mil.
As reduções do emprego formal foram observadas no Comércio (-97,8 mil), na
Construção Civil (-9,7 mil) e no Setor de Serviços (-9,5 mil). A boa notícia é que a Indústria
esboçou uma leve reação e após meses de queda do emprego formal, registrou um aumento de
25,9 mil postos de trabalho. A Agropecuária também apresentou saldo de emprego positivo, de
9,4 mil novas vagas.
Esta “fotografia” da dinâmica do mercado de trabalho no primeiro mês do ano confirma o
caminho de recessão trilhado pela economia brasileira. Dado o esgotamento do ciclo de
crescimento pautado no consumo de bens duráveis e sem que haja um projeto econômico
alternativo, fundado na recuperação da capacidade de investimento da economia brasileira, os
empregos começam a “escassear”. A análise do atual cenário não permite posições muito
otimistas. O país vive um momento complicado. Do ponto de vista das relações da economia
nacional com o resto do mundo, não está prevista uma melhoria da crise mundial, para o futuro
próximo. Por outro lado, internamente, as medidas de “contenção fiscal” e aperto da política
monetária adotadas pela atual equipe econômica aceleram o processo de “recessão” da atividade
econômica. Para completar, o clima político é paralisante, com insatisfação popular e crise de
representatividade do Executivo Federal. Com este arranjo de coisas, o mais provável é que os
próximos meses sejam de queda acentuada do emprego formal.
Estado de São Paulo
No estado de São Paulo, janeiro de 2015 terminou com o fechamento de 13,6 mil postos
de trabalhos formais líquidos, replicando o comportamento do mercado de trabalho nacional. Em
janeiro de 2014, a economia paulista havia gerado 7,9 mil novas vagas com carteira assinada.
Os setores da economia paulista que registraram queda do saldo do emprego formal, em
janeiro, foram: Comércio (-27,4 mil), Agropecuária (-3,6 mil) e Serviços (-2,3 mil). A Indústria
foi responsável pela “boa notícia” do mês, gerando 13,5 mil novas vagas, após oito quedas
consecutivas do saldo de emprego. A Construção Civil também registrou aumento do emprego,
em 6,2 mil vagas, após cinco meses de quedas consecutivas.
No setor de saúde privada, o saldo de empregos formais, em janeiro, ficou em 688 novas
vagas. Embora o resultado seja positivo, percebe-se uma queda do ritmo de geração de empregos
na saúde, já que em janeiro de 2014 o saldo havia sido de 2.020 vagas.